Música

sábado, 2 de agosto de 2014

54-"Quero vê-la! Quero falar com ela! Quero ir com ela!"

-Mas não está a ver que a minha mãe não aguenta mais?-Perguntei eu à enfermeira. Ela fez força mas quando voltei a olhar para minha mãe, ela estava de olhos praticamente fechados.-Mãe!- Ela nada me respondeu. Senti ela apertar a minha mão e segundos a seguir, vi a mão dela cair. O bebé estava cá fora mas apenas a enfermeira o levou, os restantes médicos rodearam a minha mãe. Olhei para a máquina que registava os batimentos cardíacos dela e vi aquilo que não queria, não podia ser.



Aquela linha direita que não se mexia não podia querer dizer aquilo que eu estava a pensar. A minha mãe tinha de estar bem.
-Mãe? Ela está bem não está?-Os médicos não me respondiam, o que me deixou irritada.-Respondam-me!

-Tem de ter calma e ser forte!

-Ela está bem não está? Ela só desmaiou não foi? Mãe?-Perguntei agarrando-me à mão dela.

-Não. A sua mãe não aguentou.Ela faleceu.-Não queria, não podia acreditar. Ela é forte, não podia ser, não agora. Agarrei-me a ela e desatei a chorar.-Mãe! Por favor! Não!-Gritava eu. Agarraram em mim e levaram-me até ao corredor onde já estava o meu pai.

-O que é que aconteceu?-Perguntou o meu pai, ao ver-me a chorar. Eu não consegui responder-lhe, foi a médica que o fez. As lágrimas começaram a escorrer-lhe pela cara. Abracei-o mas a dor que estava a sentir não era aliviada como acontecia com os abraços da minha mãe. Tudo era diferente com ela mas ela agora não estava mais. E eu ainda precisava tanto dela.

-Vamos para casa?

-Não. Eu quero a mãe, quero falar com ela.

-É melhor ser amanhã antes do funeral. Devia ir para casa descansar.-Funeral? Eu não queria acreditar em nada do que estava a acontecer e estava palavra era horrível.

-Sim, vamos para casa.

-Não!-Gritei eu. O meu pai pegou-me no braço e puxou-me. Eu não tinha forças para resistir. Força era aquilo que mais me faltava naquele momento.


Saímos do hospital e entramos no carro. O caminho para casa foi passado a chorar e a recordar bons e maus momentos com a minha mãe. Momentos lindos e carinhosos. Mas também momentos em que preferi outras coisas em vez de estar com a minha mãe e em que não dei o valor que ela merecia. Havia muita coisa que não cheguei a fazer e ainda queria fazer mas agora era impossível. Agora o tempo não volta atrás.
Assim que entramos em casa corri para o quarto que sabia que não ia estar ninguém, sentei-me na minha cama, agarrei-me à minha almofada e chorei, não tinha forças para mais nada.

Poucos minutos depois alguém bateu à porta. Não queria falar com ninguém nem queria ninguém ao pé de mim. Queria quem não voltava mais.
-Não quero falar com ninguém!-Assim que disse isto a porta abriu-se e do outro lado surgiu o Nolito.-Por favor, deixa-me sozinha.-Respondi levantando-me.

-Não posso. Eu já sei o que aconteceu. E podes não falar mas deixa-me estar aqui ao pé de ti.

-Se eu soubesse que isto ia acontecer...eu amava-a mais e dedicava-me mais! Só preciso de mais um dia para dizer que a amo mas agora isso já não é possível.

-Calma.-Ele puxou-me para ele e abraçou-me.

-Onde é que vais?-Perguntou-me depois de afastar-mos os nossos corpos e eu caminhar até à porta.

-Quero vê-la! Quero falar com ela! Quero ir com ela!

-Não podes.

-Posso.Nada faz sentido agora.Não consigo continuar sem ela.Preciso muito dela.

-Faz sim. Tens de ser forte. Tens me a mim, vou estar sempre aqui para ti. E, principalmente, tens de ser forte pelos nossos filhos.

-Não tenho forças para nada. 

-Tens de descansar.-Ele saiu e voltou alguns minutos depois.

-Toma isto para descansares melhor.

-Não quero nada.

-É melhor, precisas de descansar.-Acabei por lhe fazer a vontade e tomei aquele comprimido.

[NOLITO]
Ela estava muito alterada e precisava de descansar. 15 minutos depois de lhe dar aquele comprimido, adormeceu.
Eu sabia por aquilo que ela estava a passar. Seu o quanto doí perder alguém que gostamos muito. Passei pelo mesmo quando perdi o meu avó, um pai para mim. E sei o quando precisamos de alguém ao nosso lado para nos ajudar a levantar e com o tempo seguir-mos a nossa vida. E eu só quero fazer o que poder para aliviar a dor dela e estar ao lado dela neste momento difícil.
Desci até à sala onde estava o pai, também muito em baixo e sempre a chorar.
-Como é que está?

-Mal. Eu e a minha mulher podiamo-nos ter separado mas voltamos a estar juntos e eu amava-a mesmo muito. Desperdiça-mos bastante tempo separado e agora que estávamos a aproveitar o tempo perdido, ela desaparece da minha vida.

-Eu não sei o que dizer nestas altura mas tem de ter muita força. A sua filha mas principalmente o seu filho precisa de si.

-Eu já não sei como se muda uma fralda nem como dá o biberon. Já não sei nada. Queria a minha mulher aqui para me ajudar em tudo.

-Eu vou ajudá-lo em tudo o que precisar e vou estar aqui do lado da sua filha também, vou ajudá-la a ultrapassar este momento mau.

-Obrigado.

-Não agradeça.

-Eu agora vou ao hospital tratar das coisas que tenho de tratar e vou ver o meu filho.

-Força!-Ele levantou-se do sofá e saiu. Os próximos tempos iriam ser complicados nesta casa e eu tinha de estar o máximo de tempo por casa. Teria de pedir uns dias no Celta para isso ser possível.


No Dia Seguinte...
Levantei-me eram 9 horas. Tratei do trio, preparei o pequeno-almoço e voltei ao quarto onde a Sofia estava a acordar.
-Bom Dia!-Disse-me sentado-se na cama.

-Bom Dia.Como é que estás?

-Tive um pesadelo horrível. Daqueles que parecem realidade.

-Que pesadelo?

-Que a minha mãe tinha morrido. Foi tão mau.-Fez uma pausa e continuou.-Foi um pesadelo não foi?-Perguntou-me ela assustada.
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Olá a Todas!!
Capítulo pequeno e triste mas espero que de alguma maneira tenham gostado. Fico à espera das vossas opiniões!
Besos!

sábado, 31 de maio de 2014

53-"Se me acontecer alguma coisa, não te esqueças que eu te amo muito."

No fim do jogo tivemos de esperar ainda 20 minutos pelo Ezequiel porque seria na casa dele que iríamos dormir. Assim que ele se despachou fomos até à garagem onde o Nolito pegou no carro e conduziu até lá. 15 minutos depois já estacionávamos na garagem dele.
-Ezequiel posso ir até ao quarto deixar o trio?

-Sim claro que podes, fica à vontade!-Procurei pelo quarto onde deixei o trio que dormia muito serenamente. Mas havia algo estranho que eu tinha reparado assim que o Ezequiel abriu a porta: não estava mais ninguém em casa. Percorri o corredor até à sala onde eles estavam.

-Ezequiel...posso fazer-te uma pergunta?

-Sim, pergunta.

-A Ana?

-Ah esse assunto. Por acaso tenho de falar com vocês por causa dela.

-Diz.-Disse o Nolito.

-Eu e a Ana acabamos. Mas ela pediu para que vos dissesse que não é por nos termos separado que vai deixar de querer continuar a ser Madrinha e que podem contar com ela para tudo o que precisarem.

-Quando a convidei para ser madrinha pensei que a vossa relação era mesmo séria e não fosse acabar assim de um dia para o outro.

-E era séria mas às vezes acontecem coisas que mais vale terminar com tudo, por mais que custe.

-Mas por mim ela continua a madrinha.

-Por mim também!-Disse o Nolito.

-Por mim também. O fim da nossa relação nada muda a excelente pessoa que ela é.

-Queres falar sobre o fim da vossa relação?-Perguntou o Nolito.

-Eu vou até ao qarto ver do trio!-Percebi que o Ezequiel precisava de falar e deixei-os sozinhos.

. . .
No Dia Seguinte (31 de Janeiro de 2013)...
Eram 10h quando acordei. Foi o sol nada normal para um dia de Inverno que me despertou. Vi que não chovia e por isso decidi dar o leite ao trio no jardim e aproveitar um pouco o sol.
Estávamos ali à já quase uma hora quando o Nolito apareceu. Com ele trazia o tablet, aproveitando para nos tirar uma fotografia.
-Buenos Dias!-Disse ele dando um beijo a cada um deles e por fim a mim.

-Buenos dias!

-Tens algum plano para hoje?

-Passear e depois preparar tudo para a meia noite.

-Parece-me bem!-Como o pablo, a Diana e o Diego já dormiam, levámos-os para o quarto. Aproveitá-mos depois para nos vestirmos e preparamos para sair.

-O Ezequiel vem?-Perguntei ao Nolito.

-Não sei. Importas-te se ele for?

-Claro que não!-Descemos mais o trio. O Ezequiel estava na sala ao telemóvel e por isso tivemos de esperar uns minutos.

-Ezequiel queres vir connosco?

-Onde?

-Almoçar e depois passear.

-Sim, almoço com vocês e depois deixo-vos a passearem os cinco.

-Então vamos!

-Sugestões de restaurante?-Perguntou o Nolito ao Ezequiel.

-Aquele ao pé do Estádio da Luz!

-O do costume?

-Sim! Ao menos lá sabemos que comemos bem.

-Então vamos!-Saímos todos de casa, entramos no carro e fomos em direcção ao restaurante.

. . .
Entramos no restaurante e o Ezequiel foi à frente pedir uma mesa. Fomos atrás dele até à mesa. A mesa era para sete pessoas. 
-Mas é preciso uma mesa tão grande só para nós os três?-Perguntei eu.

-Sim.-Respondeu o Ezequiel. Nada mais nos respondeu. Olhamos para ele e ele estava de mão levantada a fazer sinal para alguém. Na porta do restaurante estava o Lima, a Joana com a bebé deles ao colo, o meu irmão e a Maria com o filho deles escondido atrás da perna dela.
-Tia!!Tinha saudades tuas!-Disse o pequeno Tiago, agarrando-se agora à minha perna.

-Eu também tinha saudades tuas!-Disse eu baixando-me ficando da altura dele. Deu-me um beijo na bochecha e eu retribui.-Quem é que preparou isto tudo sem dizer nada?-Perguntei eu. O Ezequiel e o Lima começaram-se a rir.- Só podiam ser vocês!

-Gostaste?-Perguntou o meu irmão.

-Claro! Já tinha saudades tuas!-Dei-lhe um beijo na bochecha e depois abracei-o. Cumprimentei de seguida a Maria e depois o Lima, deixando a Joana para o fim.

-Ser mãe fez-te mesmo bem!-Disse eu abraçando-a.- A Maria é mesmo a tua cara!
Aproveitamos o almoço para pôr a conversa em dia e matar algumas saudades. Depois de almoçar, o Lima, o Ezequiel e o Miguel queriam muito ir à loja do Benfica e por isso lá fomos nós. 

O Nolito, o Miguel, o Lima e o Ezequiel foram para dentro da loja enquanto eu, a Maria e a Joana ficamos cá fora na conversa. Claro que quatro homens dentro de uma loja, ficaram por lá algum tempo, saindo quarenta minutos depois.
-Estávamos a ver que dormiam aí dentro!-Disse eu.

-Isto demorou a fazer!-Disse o Lima.

-Isto o que?-Perguntei o que.

-Os padrinhos decidiram mimar os nossos filhos.-Disse o Nolito. 

-Esta é para a Diana!-Disse o Lima. Abri o saco e era uma camisola do Benfica com o número com que ele joga.
-Obrigada!

-Esta é para o Pablo!-Disse o Ezequiel. Abri e era também uma camisola do Benfica com o número dele.
-Obrigada! 

-E por fim, esta é para o Diego!-Disse o meu irmão. Era a que eu tinha mais curiosidade para ver o número. Nas costas tinha o número 9, o número do Nolito quando jogou no Benfica.

-Obrigada! Eles não podiam ter melhores padrinhos!-Disse eu, deixando-os ainda mais convencidos e babados.

-As camisolas são ainda um pouco grandes. Daqui a mais uns meses, quando tiverem um ano, voltamos cá para eles virem ao estádio com elas vestidas.

-Prometes?

-Sim!-Dei-lhe logo um beijo mesmo ali. Quando olhei para o lado estavam os casais todos aos beijos e o Ezequiel sozinho a segurar as velas.

-Também queres um beijo?-Perguntou o Nolito. Chegou-se perto dele tentando dar-lhe um beijo na bochecha mas ele fugiu logo dele, fazendo com que todos se rissem.

. . .
O resto da tarde foi passada a organizar o jantar e as coisas para a meia noite. Mulheres na cozinha, homens a tomar conta dos bebés: Nolito com a Diana, Ezequiel com o Pablo, o meu irmão com o Diego e o Lima com a Maria. O Tiago ia correndo a casa toda e andava entre a sala e a cozinha.

Depois de jantarmos, a hora da contagem chegou depressa. Tanto os bebés como o Tiago todos já dormiam.
-Cinco!-Disse eu.

-Quatro!-Disse a Joana.

-Três!-Disse o Nolito.

-Dois!-Disse o Ezequiel.

-Um!-Gritou o meu irmão.

-Feliz ano Novo!-Gritamos todos. No ar já se via o fogo de artifício.
-Sofia!-Chamou-me o Nolito. Rodeou-me a cintura com os seus braços e beijou-me.-Feliz Ano Nuevo!

-Feliz Ano Novo para ti também!

-No próximo ano só preciso de ti e dos nossos filhos ao meu lado e claro que corra tudo bem no celta para ser feliz!

-Tu e eles são a minha vida!-Disse beijando-o.

. . .
6 Meses Depois (31 de Maio de 2014)...
Tinham-se passado 6 meses. O ano de 2014 começou menos bem para o Nolito no Celta, os golos não chegavam e as críticas eram mais que muitas. Nos últimos dois meses, tudo mudou e os golos chegaram. Ele é agora, no fim da temporada, o melhor marcador do Celta.
O Pablo, a Diana e o Diego estão quase a completar um ano e estão cada vez mais lindos e muito bem de saúde.
A entrada no novo ano tinha servido também para a minha mãe contar ao meu pai da gravidez. Mais feliz ele não podia ter ficado. A minha mãe está de 8 meses e apesar de alguns sustos, tem decorrido tudo com alguma normalidade.

Acordei eram 10 horas, desci até à sala e encontrei a minha mãe deitada no sofá da sala.
-Bom Dia Mãe!

-Bom Dia!

-Está tudo bem?

-Não. Estou cheia de dores.

-E não nos dizes nada?

-Não tinha forças para isso.

-Tens dores onde?

-Na barriga.

-Aguenta um bocadinho. Volto já.

Fui a correr ao quarto dos meus pais, onde estava o meu pai ainda deitado.
-Pai! Veste-te e põe a mãe no carro!

-O que é que se passa?

-A mãe está cheia de dores.-Sai do quarto, percorrendo o corredor até ao meu quarto onde me vesti a correr.

-Nolito! Tomas conta deles?

-Sim! Mas passasse alguma coisa?

-Vamos com a minha mãe para o hospital.

-Depois diz alguma coisa.

-Sim, eu digo.-Sai do meu quarto e percorri o corredor até à sala, onde o meu pai ainda estava lá com a minha mãe.

-Ela está cheia de sangue.-Disse o meu pai.

-Acho que as águas já rebentaram.

-Já?-Perguntou o meu pai.

-Leva-a para o carro.-O meu pai pegou nela ao colo e sentou-a no carro.

...
15 minutos depois já estavamos a entrar nas urgências do hospital. Levaram-na logo para dentro. 20 minutos depois apareceu uma enfermeira para falar connosco.
-A sua mãe já entrou em trabalho de parto. Quem é que quer assistir?

-Pai?

-É melhor ires tu. Tu já tiveste três, eu secalhar ainda caio para o lado.

-Medricas.-Disse eu, indo atrás da enfermeira. Depois de desinfectar as mãos e vestir a bata, pode entrar.

-Mãe!

-Filha!

-Como é que estás?

-Cansada.

-Cansada?

-Sinto-me com poucas forças.

-Isto é normal?-Perguntei à enfermeira.

-Sim, a sua mãe perdeu bastante sangue.

-E vão-lhe fazer um parto normal?


-É o melhor!


-Melhor para quem?


-Para o bebé.


-E a minha mãe não importa?


-Calma filha! Fui eu que pedi. Se me acontecer alguma coisa, não te esqueças que eu te amo muito.


-Não digas essas coisas. Vai correr tudo bem.


-Na próxima contracção que sentir faça força.- Assim a minha mãe fez várias vezes, até perceber que ela estava com poucas forças.

-Mas não está a ver que a minha mãe não aguenta mais?-Perguntei eu à enfermeira. Quando voltei a olhar para minha mãe, ela estava de olhos practicamente fechados.-Mãe!- Ela nada me respondeu. Senti ela apertar a minha mão e segundos a seguir, vi a mão dela cair.
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Olá a Todas!
Este foi mais um capítulo desta história! Espero que tenham gostado e que não tenham achado uma grande seca.
Fico à espera das vossas opiniões!
Beijinhos!

sexta-feira, 4 de abril de 2014

52-"Lisboa espera por nós! E a Luz!"

Cheguei à sala e deparei-me com o pior cenário. A minha mãe estava desmaiada no chão com uma grande mancha de sangue à volta dela, entrei logo em pânico.
-Já chamaste uma ambulância?

-Não.-Respondeu o meu pai.

-Devia ter sido a primeira coisa a fazeres!-Respondi eu correndo para o telemóvel.

-Desculpa entrei em pânico.

-Se começam a exaltar-se é pior!Tenham calma! -Pediu o Nolito enquanto eu falava ao telemóvel. A chamada estava terminada e restou-nos esperar uns longos 10 minutos.
. . .
O Nolito ficou em casa com o Diego, o Pablo e a Diana.Vinte minutos depois de ter feito a chamada já estávamos na sala de espera do hospital. Nenhum de nós pode entrar.
-Espero que ela esteja bem!- Disse eu.

-Mas de onde é que vem aquele sangue todo?-Naquele momento é que se fez luz na minha cabeça e me lembrei que o meu pai não sabia que ela está grávida.

-Deve ter sido uma hemorragia.-O meu pai não perguntou mais nada. Passaram-se mais de 20 minutos em que nem eu nem ele conseguíamos parar quietos. As notícias não chegavam e eu cansei-me de esperar.

-Vou procurar uma enfermeira ou um médico.

-Secalhar é melhor!-Sai daquela sala e procurei por uma enfermeira. Depois de algumas passarem por mim com alguma pressa e sem ouvirem o que eu tentava perguntar, lá consegui que uma parasse.

-Desculpe, pode me dizer como está a minha mãe que entrou com uma hemorragia e que está grávida?

-A sua mãe já está num quarto.Assim que aqui chegou ela acordou e a hemorragia parou.

-E o bebé?

-O bebé está bem mas a sua mãe vai ficar cá uns dias para descansar e fazer-mos mais exames.

-Posso ir vê-la?

-Sim! Segue este corredor sempre em frente e ao fundo vira à direita. Quarto 210.

-Obrigada!-Sai de ao pé da enfermeira e voltei à sala de espera onde estava o meu pai impaciente à espera de noticias. Assim que me viu veio logo na minha direcção.

-Como é que ela está?

-Está melhor mas tem de cá ficar uns dias para fazer mais exames.

-Podemos vê-la?

-Sim mas importas-te que eu vá primeiro?

-Não.

-Não te preocupes que não demoro muito. Ela tem de descansar.-Sai mais uma vez daquela sala em direcção ao quarto da minha mãe, seguindo as indicações que a enfermeira me tinha dado.Assim que lá cheguei bati à porta e entrei.

-Mãe! -Exclamei eu assim que a vi. Num instante percorri aquele espaço entre a porta e a cama dela para lhe dar um beijo.-Como é que te sentes?

-Melhor! Foi só um susto.

-E que grande susto!

-O teu pai?

-Está na sala de espera.

-Contaste-lhe?

-Não mas só porque não sabia o que querias fazer.

-Obrigada. Não quero que ele saiba já, daqui a mais uns meses eu conto. Tenho medo que esta gravidez corra mal.

-Vai correr tudo bem!

-Espero que tenhas razão.

-Mas tens de descansar muito para que corra bem.

-Sim mãe!-Disse a minha mãe, fazendo com nos desmanchasse-mos a rir.

-Olha vou sair para o pai entrar.

-Está bem! -Despedi-me dela com um beijinho e sai do quarto. Voltei a percorrer aquele corredor até à sala de espera.

-Já podes entrar mas não fiques muito tempo, a mãe precisa de descansar.

-Sim é só para ver como ela está e dar-lhe um beijinho.

-Importas-te que eu vá andando para casa?

-Se esperasses íamos os dois no carro.

-Eu vou de táxi. Levas tu o carro depois.

-Está bem. -Dei as indicações ao meu pai de como ir até ao quarto e percorri esse corredor em sentido contrário até à saída. Assim que sai consegui apanhar logo um táxi e 10 minutos depois já estava a meter a chave à porta. Assim que entrei avistei logo o Nolito sentado no sofá da sala com o Pablo ao colo.

-Olha quem chegou! É a mamã! -Disse ele a sorrir para o Pablo. Assim que cheguei perto deles, sentei-me e dei um beijo a cada um.

-O Diego e a Di?

-Estão a dormir. Aqui o traquina é que queria brincadeira!

-E o pai aproveitou!

-Claro! Então e a tua mãe?

-Já está melhor e o bebé está bem mas vai lá ficar uns dias para descansar e ser vigiada pelos médicos.

-Quantos dias?

-Uns quatro ou cinco.

-E...

-E? Calma! Tu não estás neste momento preocupado com a nossa passagem de ano pois não?

-Pois...até estava. Desculpa!

-Eu neste momento só quero pensar na saúde da minha mãe e só saio daqui quando ela estiver melhor.

-Sim tens razão desculpa!

-Estas desculpado! Mas não me faças chatear contigo no dia de Natal que já não está a correr bem. Hoje só quero acabar o dia com paz e amor ao pé de vocês.-O Nolito deu-me um beijo na testa e encostou-se a mim. Permanece-mos assim alguns minutos em silêncio, o que nos fez perceber que o Pablo tinha adormecido. O Nolito pegou nele ao colo e subiu para o pôr na cama dele. Nesse momento o meu pai chegou e fui logo ter com ele.

-Como é que ela estava?

-Como disseste. Está é muito pálida.

-É normal. Perdeu muito sangue.

-Mas ela vai ficar totalmente boa e vem passar a passagem de ano connosco, vais ver.

-Espero que sim!
...
5 Dias Depois (30 de Janeiro de 2013)
Estes cinco dias foram passados entre casa e o hospital. A minha mãe nos primeiros dias melhorou bastante e ganhou a cor normal dela mas onde quando era para receber alta, começou com algumas dores e acabou por ficar.
Hoje eram 11 horas quando acordei. O Nolito tinha me pedido que dormisse mais um pouco que ele tomava conta do trio. Estava a chegar à sala quando o meu pai entra em casa.
-Pai! Foste ao hospital?

-Sim.

-E?

-A mãe vai sair hoje à seguir ao almoço!

-Que bom!-Disse eu dando-lhe um abraço.-Nolito!

-Sim?

-Deixa os meninos que eu tomo conta deles! Podes ir fazer a tua mala! Do hospital seguimos para Lisboa!

-Lisboa espera por nós! E a Luz!-Disse ele super contente. A ultima frase já enquanto caminhava pelo corredor em direcção ao quarto.

. . .
Algumas Horas Depois...
Eram 14 horas quando chegamos todos ao hospital. Depois de alguma insistência e de explicarmos que a minha mãe ia ter alta lá nos deixaram entrar com o trio.
-Chegamos!-Dissemos os três assim que entramos no quarto. A minha mãe sorriu logo.

-Boa Tarde Família! Eu gosto muito de vocês os cinco mas o que é que ainda aqui estão a fazer? Não tem uma longa viagem até Lisboa?

-Olha está a despachar-nos!-Disse eu.

-Não estou nada.

-Não se importam que não passemos a passagem de ano com vocês?-Perguntou o Nolito.

-Claro que não! Aproveitem!

-Então secalhar íamos andando para chegar a tempo do jogo.-Hoje é o ultimo jogo do ano do Benfica e o Nolito queria ir ao estádio ver o jogo e ainda tínhamos algumas horas de viagem de carro.

Despedimo-nos uns dos outros e saímos do hospital. Colocamos o trio no carro e lá fomos nós a caminho de Lisboa. Fizemos várias pequenas paragens pelo caminho. A viagem foi muito animada e passou depressa.

. . .
Eram 19:30 quando estacionávamos no parque do Estádio da Luz. Pensei que fosse mais complicado deixarem-nos entrar com três bebes de quatro meses mas acabou por não haver problema, pareciam já estar à espera da nossa chegada. Encaminharam-os logo para os camarotes onde estava o Cardozo e o Salvio que estão lesionados e as mulheres de alguns jogadores. O ambiente no estádio era de grande festa e animação com a entrada das equipas em campo para o aquecimento.

Fui apresentada a todas as raparigas que ali estavam, eram todas muito simpáticas. Depois as atenções passaram para o trio que ia fazendo as delícias de quem se metia com eles.

Eram 20H quando o jogo começou. O Benfica esteve mais forte o jogo todo mas não teve muitas oportunidades de marcar e o resultado foi apenas 1x0 contra o Nacional da Madeira que defendeu bem a sua baliza.
No fim do jogo tivemos de esperar ainda 20 minutos pelo Ezequiel porque seria na casa dele que iríamos dormir. Assim que ele se despachou fomos até à garagem onde o Nolito pegou no carro e conduziu até lá. 15 minutos depois já estacionávamos na garagem dele.
-Ezequiel posso ir até ao quarto deixar o trio?

-Sim claro que podes, fica à vontade!-Procurei pelo quarto onde deixei o trio que dormia muito serenamente. Mas havia algo estranho que eu tinha reparado assim que o Ezequiel abriu a porta: não estava mais ninguém em casa. Percorri o corredor até à sala onde eles estavam.

-Ezequiel...posso fazer-te uma pergunta?

-Sim, pergunta.

-A Ana?

-Ah esse assunto. Por acaso tenho de falar com vocês por causa dela.

-Diz.-Disse o Nolito.
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Olá!
Espero que tenham gostado deste capítulo. Sei que não está nada de especial mas foi o que surgiu para continuar a história. E desculpem a demora em publicar mas o tempo para escrever tem sido pouco. Espero que não desistam de ler os meus capítulos e não se fartem de esperar quando demoro muito.
Fico à espera das vossas opiniões que são sempre muito importantes para mim!
Besos!