Música

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

42-"Son nuestros hijos!"

3 MESES DEPOIS....
Passaram três meses, ora de nervosismo total ora de pasmaceira. O primeiro foi de algum stress e ainda preocupação com o meu irmão e nos outros dois apenas sai de casa para apanhar ar, o resto do tempo foi passado em casa na companhia da Joana (no último mês) e da minha mãe.

A Joana voltou a Vigo com a maravilhosa notícia que afinal o filho era fruto de uma noite de copos com o homem que veio a ser o namorado, o Lima. Depois ficou apenas dois dias e voltou a Lisboa com o Lima que iniciou a nova época ao serviço do Benfica.

O 1º mês fora passado quase todos os dias no hospital. Depois de iniciada a transfusão ele teve várias recaídas e até eu por algumas vezes temi perdê-lo. Passei muitas horas no hospital acompanhada da minha mãe, que nunca saiu de perto do meu irmão. E a surpresa maior: o meu pai, quase nunca tinha saído da cabeceira da cama, apenas foi uma vez a Lisboa e insistia muitas vezes para ficar a dormir no hospital. O Nolito apoiava como podia, entre os treinos também passava a maior parte do tempo no hospital a mimar-me e a dar-me apoio. 

Ao fim do 1º mês passado no hospital, os sinais de recuperação já eram evidentes. O meu irmão tinha recuperado a cor que tinha, a força e ficou apenas mais uma semana no hospital. Estava tudo finalmente mais calmo e iria poder descansar. Voltámos todos a casa, o meu irmão, a Maria e o Tiago ficaram apenas 2 dias em minha casa, depois voltaram a Madrid. O meu pai voltou a Lisboa com a promessa de que voltaria e a minha mãe ficou, queria ficar até ao nascimento do neto

O mês seguinte foi de muito descanso a mando da médica. Era mimada todos os dias pelo Nolito, pela minha mãe e pela Joana (que tinha voltado para assistir ao meu 8º mês de gravidez e depois voltaria a Lisboa para junto do Lima, voltando apenas quando os minimeus nascessem), faziam-me tudo e cansei-me um pouco disso, parecia que estava inválida. Saí poucas vezes de casa, a barriga já pesava muito e além disso achavam que me ia cansar e então pouco saia, só mesmo quando eu o exigia muito. Não podiam contrariar as vontades de uma grávida.

A minha gravidez corria bem apesar do meu nervosismo constante com tudo isto, só um dos minimeus continuava a crescer mais devagar que os outros. E já estavam dois deles de cabeça para baixo e o mais pequeno continuava na posição inicial. O médico disse-me que poderia acontecer ele nascer mesmo assim, apesar de ser mais complicado.
Barriga dos 6 meses

Barriga dos 7 meses

No fim do 7º mês, a barriga estava cada vez mais pesada e maior, as dores de costas eram mais que muitas e agora já era eu que pedia mesmo ajuda para me vestir, para me movimentar de um lado para o outro e para tomar banho. Com o tamanho da minha barriga, já quase que nem os meus pés eu vejo.
Barriga com 7 meses e 3 semanas

18 de Agosto de 2013...
Esta noite passei-a muito mal. Desde acordar várias vezes durante a noite, os pequenos mexerem-se muito durante a noite e alguma má disposição, tudo me incomodava. Voltei a despertar eram 09:00h, o Nolito vestia-se para sair para o treino.
-Buenos Dias! Acordei-te?-Perguntou ele.

-Buenos Dias! Não, eu é que voltei a acordar mais uma vez.-Disse eu, levantando-me da cama a muito custo.

-Tenta descansar. Esta noite dormis-te pouco.-Disse ele.

-Tu também não dormiste melhor. Acordas-te sempre que eu acordei, deves estar cheio de sono.-Disse eu.

-Um bocado mas eu já desperto. O teu pai sempre vem cá almoçar hoje?-Perguntou ele. O meu pai tinha-me ligado ontem a dizer que hoje às 11:30h chegava a vigo e queria almoçar comigo.

-Sim! Só não me disse o que vinha fazer.-Disse eu.

-Até lá tenta descansar...-disse dando-me um beijo- e vocês...-poisou a mão na minha barriga para depois a beijar.-...colaborem!-Disse ele, a sorrir.
-Eles não andam muito colaborativos mas vou tentar descansar mais um pouco.-Disse eu, caminhando até à cama e sentando-me.

-Queres ajuda?-Perguntou ele.

-Não!-Disse eu tentando me ajeitar na cama e chegar as coisas que eu queria, tentativa falhada claro.-Ok! Ajuda-me!-Disse eu, ao que o Nolito respondeu com um sorriso.


O Nolito acabou de se arranjar e saiu para o treino. Eu voltei a deitar-me, consegui descansar durante duas horas. Por volta do 12:00h o Nolito voltou e o meu pai também tinha chegado. Saí da cama vesti um top e uns calções, das poucas que ainda consegui vestir. Desci e fui surpreendida pelo meu pai a conversar com a minha mãe, algo que não acontecia há muito tempo.
-Interrompo alguma coisa?-Perguntei eu, assim que entrei na sala.

-Não! Como é que estás?-Perguntou o meu pai dando-me dois beijinhos.

-Bem, dentro dos possíveis.-Disse eu.

-E o teu marido onde anda?-Perguntou ele.

-Ali!-disse eu apontando para a porta da sala onde tinha aparecido o Nolito.-Mas porque?-Perguntei eu.

-Sentem-se! Quero vos comunicar uma coisa!-Disse o meu pai.

-Estás a deixar-me preocupada!-Disse eu.

-Não te preocupes! Eu só quero dizer que me despedi do meu trabalho em Lisboa.-Disse ele.

-Então e agora?-Perguntou a minha mãe.

-Agora fui transferido para outra empresa aqui em Vigo!-Disse ele.

-A sério? Fizeste isto por nós?-Perguntei eu curiosa.

-Sim! Quero recuperar o tempo perdido contigo e com o teu irmão, quero acompanhar o crescimento do meu neto e talvez recuperar pessoas que perdi.-Disse ele, olhando a minha mãe de relance. Será que a nossa família estava a unir-se de novo? Era a melhor coisa que poderia acontecer. Mas esperava que fosse mesmo por amor à família e não apenas para estar mais perto do neto ou só por favor.

-Agora podes ficar aqui em casa!-Disse eu.

-Aceito! Mas depois vou arranjar uma casa para mim.-Disse ele.

-Tu é que sabes mas podes ficar o tempo que quiseres.-Disse eu.

-Obrigada filha!-Disse ele. Nesse momento senti uma sensação estranha na barriga, diferente do costume, algo que nunca tinha sentido. Seria uma contracção? Não podia, ainda me faltava 1 mês e 1 semana de gestação. A minha reacção foi pôr logo a mão na barriga.

-Está tudo bem?-Perguntou o Nolito, chegando-se perto de mim.

-Acho que eles estão contentes com a notícia!-Disse eu.

-Mas o que é que sentes?-Perguntou a minha mãe.

-Uma sensação estranha na barriga que nunca tinha sentido, do lado esquerdo.-Disse eu.

-Mas não te dói nada?-Perguntou ela.

-Não. Já está a passar! Vamos almoçar!-Disse eu.


Fomos todos até à cozinha onde estava a Joana à nossa espera para o almoço. Almoça-mos calmamente mas durante o almoço voltei a sentir duas vezes aquela sensação esquisita que tinha sentido antes. Não me manifestei porque não queria preocupar ninguém. Estávamos a acabar de almoçar quando voltei a sentir o mesmo mas com maior intensidade e não consegui não me manifestar.
-Ai!-Disse eu pondo a mão na barriga.

-Estás bem?-Perguntou o Nolito.

-A mesma sensação que à bocado mas mais forte.-Disse eu.

-É melhor ires ao hospital.-Disse a minha mãe.

-Tem mesmo de ser?-Perguntei eu.

-Sim é melhor!-Disse a minha mãe.

-Então vamos.-Disse eu com pouca vontade.


Vesti qualquer coisa que me tapasse um pouco mais e saímos para o hospital. Assim que lá chegamos, fui logo atendida. Tiveram de ficar todos na sala de espera enquanto eu fui conduzida a uma sala para ser observada. Depois de alguns testes perceberam o que se passava e levaram-me de volta à sala de espera onde me esperavam todos ansiosos.
-Então o que tens?-Perguntou o Nolito, assim que me viu entrar sentada numa cadeira de rodas que a enfermeira empurrava.

-Foi só um susto!-Disse eu.

-Ela pode voltar a casa. O que ela teve foram contracções preparatórias. São contracções falsas que são como uma preparação para as do parto com a diferença que nestas não se sente dor e que acontecem com espaço de tempo irregulares.-Disse a enfermeira.

-E é seguro ela voltar para casa?-Perguntou a minha mãe.

-Sim!Caso sinta dores ou que estas continuem,volte ao hospital.-Disse a enfermeira.

-Obrigada!-Disse eu.O meu pai e o Nolito ajudaram-me a levantar da cadeira e saímos do hospital.


Entrá-mos no carro e o Nolito conduziu até casa. Estávamos quase a chegar a casa quando me comecei a sentir desconfortável com pequenas dores que tinha na barriga. Passado uns minutos comecei a sentir-me molhada. Olhei para o banco do carro e reparei que estava encharcado e com algumas manchas de sangue.
-Pára o carro! Volta para trás!-Disse eu assustada. Nunca tinha passado por nada disto, era tudo novo para mim. Nem sequer alguma vez tinha pensado seriamente sobre como seria o parto e agora estava tudo a passar pela minha cabeça.

-Para o hospital?-Perguntou o Nolito, encostando o carro na berma da estrada.

-Sim.-Disse eu.

-Mas...não te estás a sentir bem?-Perguntou ele.

-Estou mas...as águas rebentaram.-Disse eu, olhando de novo para o banco do carro. Olharam todos para o banco para confirmarem o que eu dizia, principalmente a minha mãe.

-Vamos então!-Disse o Nolito com uma calma extrema que me enervou. Eu comecei a ficar muito nervosa e desatei a chorar.

-Não chores! Vai correr tudo bem!-Disse o Nolito, dando-me a mão e beijando-a a seguir. A seguir arrancou na direcção do hospital.

-Tenho medo!-Disse eu.

-Não tenhas filha. Vai correr tudo bem!-Disse a minha mãe.

-Eu nunca pensei como seria o parto e as dores, agora que as águas rebentaram é que estou assustada porque não sei o que me espera.-Disse eu.

-Mas não fiques! Todas as dores que possas vir a ter depressa as vais esquecer quanto tiveres os o Diego, o Pablo e a Diana nos teus braços.-Disse ela. O Nolito sorriu para mim e eu correspondi.

-Sim é melhor pensar nisso!-Disse eu.


Em 10 minutos já estávamos no hospital de novo, pelo caminho a minha mãe foi me dando algum apoio e tentando acalmar-me. Assim que entrei fui levada para dentro enquanto que ficaram todos na sala de espera. Fui examinada e deixada em repouso duas horas visto que as contracções eram espaçadas com intervalos de 20 minutos e a dilatação ainda não era a certa.

2 horas depois....
[SOFIA]
Passaram duas horas. As dores aumentaram, já tinhas contracções de 10 em 10 minutos passando depois para de 5 em 5 minutos e eram cada vez mais fortes. Continuava sem perceber porque é que não tinham deixado entrar ninguém, queria alguém ao meu lado. Passado meia hora comecei a ter contracções muitos regulares e a médica informou-me que estava a entrar em trabalho de parto. O pânico assolou-se sobre mim e desatei a chorar. Só queria alguém ao meu lado naquele momento.

[NOLITO]
Já estava na sala de espera à 2 horas e ninguém nos vinha dizer nada. Aproveitei para avisar a minha avó e os padrinhos. Assim que desliguei a chamada entrou a enfermeira.
-É o marido que vai assistir ao parto?-Perguntou a enfermeira.

-Sim!-Disse eu.

-Então venha que a sua mulher está a entrar em trabalho de parto.-Disse ela. Nesse momento os nervos começaram a apoderar-se realmente de mim. Queria que tudo corresse bem mas sabia que a Sofia já deveria estar a sofrer. Corri atrás da médica até à sala onde tive de desinfectar as mãos e vestir uma bata para poder entrar na sala de partos.

Assim que entrei vi a Sofia deitada na cama e com bastantes contracções comparadamente com as que tinhas no início. 
-Mi amor! Finalmente!-Disse ela.

-Nunca mais me deixavam entrar.-Disse eu, dando-lhe um beijo na testa e dando-lhe a mão.

-Estou cheia de medo, as contracções estão a ser horríveis.-Disse ela.

-Pensa que vai correr tudo bem e daqui a nada tens os três no teu colo!-Disse eu.

-Olha vem ai outra contracção....Ahhhhhhh!-Gritou ela.

-Vamos começar o parto! Comece a fazer força! Está na hora de eles virem ver os pais mais lindos!-Disse a enfermeira a sorrir.

-Podes apertar a minha mão!-Disse eu. Antes de ter começado a falar já ela apertava a minha mão. Pensei por momentos que ia ficar sem mão.

-Faça força mais uma vez que está quase um rapagão cá fora!-Disse a médica. E assim ela fez, depois dos gritos da mãe ouviram-se os do filho. Ele chorou com toda a força que tinha.
-O nosso filho!-Disse a Sofia, muito emocionada. E eu estava igualmente emocionado. Era tão lindo e tão pequeno, frágil.Poisaram o bebé no colo dela mas depois levaram-no logo.

-E só faltam dois!-Disse eu.

-Ajudas muito assim! Ainda faltam dois!-Disse ela.

-Faça força!-Disse a médica.

-Ahhhhhhh!-Gritou ela enquanto fazia força.

-Mais uma vez e está cá fora uma linda menina!-Disse a médica.

-Força amor! Está quase.-Disse eu.

-Ahhhhhhh!-Gritou ela mais uma vez. Logo de seguida ouviu-se um pequeno choro, não tão alto como do menino mas ia chorando aos bocadinhos. Depois dos gritos, viu-se um sorriso no rosto da Sofia quando puseram a Diana ao lado dela.

-Só falta o último rapagão!-Disse a enfermeira.

-Não sei consigo.-Disse a Sofia muito cansada.Ela estava toda a suar e ainda faltava mais um. Agora percebia o que as mulheres sofrem para trazer ao mundo estes seres lindos, com os nossos genes.Está a ser tudo mágico e não conseguia não deixar escapar algumas lágrimas.

-Consegue! Aproveite a próxima contracção!-Disse a médica.

-Ahhhhhhh!-Gritou ela enquanto fazia força durante mais uma contracção.-Ahhhhhh!-Voltou a gritar, enquanto me apertava a mão.

-Aqui está ele!-Disse a enfermeira. Cortei o cordão umbilical e eles levaram-no logo para uma cama ao lado. 
Ele estava com pouca cor. E parecia-me que não estava muito bem. Assim que olhá-mos para o lado estavam a dar-lhe oxigénio e depois levaram-no para uma outra sala.
-O que é que ele tem?-Perguntou a Sofia.

-Ele vai ficar bem amor!-Disse eu.

-Ele nasceu muito pequenino e ainda não tem os pulmões totalmente desenvolvidos. Vamos ver o que conseguimos fazer.-Disse a enfermeira.

-Não chores! Ele vai ficar bem!-Disse eu.

-Sim, pensamento positivo acima de tudo!-Disse ela, sorrindo.

-Son nuestros hijos!-Disse eu, deixando escapar algumas lágrimas.

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Olá a Todas!
Espero que tenham gostado!
O que acharam do capítulo no geral e de todos os acontecimentos? Mais uma vez não vou deixar perguntas para não restringirem os vossos comentários às minhas perguntas.
Mas deixam os vossos comentários, eles são muito importantes! Principalmente neste capítulo que eu amei escrever!
Besos!

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

41-"O maior erro da tua vida foi cometido comigo!"

[SOFIA]
Percorri ao lado do Nolito e com o médico à frente todos aqueles corredores que nos levavam à sala onde estava a pessoa compatível com o meu irmão a iniciar o processo de doação de sangue. Assim que o médico parou percebi que finalmente tinha-mos chegado. O médico fez sinal para entrar-mos, entrei e o meu olhar percorreu de imediato todas as pessoas que estavam sentadas naquelas cadeiras a fazer o mesmo processo. E encontrei a pessoa! A pessoa que eu menos esperava.

-Pai!-Disse eu.

-Sim! Sou mesmo eu!-Disse ele, a sorrir.

-Tens a certeza que queres mesmo fazer isto?-Perguntei eu.

-Sim! Eu pensei muito depois do teu telefonema e hoje cedo apanhei o avião.-Disse ele.

-E nunca te vamos ficar a dever isto?-Perguntei eu.

-Não! Ele é meu filho e se eu não o ajudasse não estava a ser pai mas sim um grande hijo de puta como tu disseste.-Disse ele. Acabamos por soltar todos uma grande gargalhada.

-Desculpa isso mas enervei-me.-Disse eu.

-Tinhas razões para isso! Mas não te podes enervar! Olha o meu neto!-Disse ele. As palavras dele e o olhar dele na direcção da minha barriga fizeram-me perceber que talvez esteja a mudar de atitude e aquele coração frio esteja a transformar-se num coração mole.

-Podes tocar!-Disse eu pegando na mão dele e pus-a na minha barriga. 

-Está tão grande! Estás de quanto tempo?-Perguntou ele.

-De 5 meses e 1 semana!-Disse eu.

-Sofia! Desculpe mas tem de vir comigo! O seu irmão precisa de si.-Pediu-me o médico que entrou der repente dentro da sala. Via-se que tinha vindo a correr e estava bastante preocupado.

-Mas o que é que aconteceu?-Perguntei eu.

-O seu irmão teve uma paragem respiratória mas já recuperou. Continua fraco e pediu para falar consigo.-Disse ele.

-Ainda não começou a transfusão?-Perguntei eu.

-Vai começar agora!-Disse o médico.

-Então vamos lá!-Disse eu.


Voltá-mos a percorrer todos aqueles corredores até ao quarto do meu irmão.
-Mana!-Disse ele assim que me viu.

-Então? Que se passa?-Perguntei eu.

-Quero despedir-me de ti!-Disse ele.

-Não digas disparates!-Disse eu.

-Não são disparates, eu vou morrer.-Disse ele.

-Não vais nada.-Disse eu, aproximando-me dele e agarrando-lhe na mão.

-Vou, eu sinto que sim. Já tenho poucas forças.-Disse ele, deixando cair algumas lágrimas.

-Tens de aguentar. Depois da transfusão vais ficar bem.-Disse eu.

-Sim, agora num instante recupera.-Disse o Médico que assistia a tudo.

-Não sei se tenho forças para aguentar.-Disse ele.

-Tens! Mas não fales mais, descansa.-Disse eu.

-Eu descanso mas fica aqui comigo por favor.-Disse ele. Eu acenei com a cabeça e sentei-me na cadeira ao lado da cama dele. Ele ajeitou-se na cama e fechou os olhos. De cada vez que isso acontecia eu procurava sempre a máquina que registava os batimentos cardíacos dele e só descansava quando percebia que tudo estava bem.

-Mano?-Perguntei eu.

-Sim?-Perguntou ele.

-Aguenta por ti e por nós, por todos os que gostam de ti.-Disse eu. Nesse momento já uma enfermeira tinha colocado tudo para que o processo de transfusão se iniciasse. 

[JOANA]
-Tens a certeza? Pensa bem.-Perguntou o Lima.

-Tenho a certeza!-Disse eu.

-Eu não te vou julgar.-Disse ele.

-Pronto, estive.-A minha cabeça viajou até há três meses atrás e recordou aquela noite. Tinha sido um erro e agora esse erro podia ter resultado num filho.


-Posso saber com quem?-Perguntou o Lima. Como eu gostava de conseguir responder à pergunta dele mas a verdade é que não conseguia. Sentei-me no sofá e fiquei a olhar o vazio, não consegui olhar para o Lima. 

-Não sei.-Disse eu, ainda sem olhar para ele.

-Não sabes?-Perguntou ele confuso.

-Não. Eu cometi o pior erro da minha vida ao ir para a cama com um homem que não conhecia, no dia em que acabei com o Miguel, eu já estava bêbada e e ele também.O pai pode ser um homem qualquer.-Disse eu, começando a chorar.

-Calma! Não chores!-Disse ele sentando-se ao meu lado.

-Deves ter nojo de mim, está com uma rapariga que teve um caso de uma noite e que está neste momento gravida de um homem que nem sabe quem é. Eu não te mereço.-Disse eu.

-Não digas isso. Todos nós cometemos erros. Até eu.-Disse o Lima.

-Tu?-Perguntei eu.

-Sim. Podia ser eu neste momento a ter uma rapariga atrás de mim porque ia ter um filho meu. Os erros que tu cometes-te eu também os cometi.-Disse ele.

-Mas não tens. E agora o que é que eu faço?-Perguntei eu.

-Agora vais te acalmar, limpar essas lágrimas e contar-me tudo sobre essa noite.Pode ser que juntos consigamos descobrir alguma pista que nos leve a essa pessoa.-Disse ele.

-Duvido muito que alguma vez eu chegue a saber quem é o pai desta criança mas eu conto.-Disse eu. Limpei as lágrimas, respirei fundo e comecei a recordar aquela noite de copos à três meses atrás.


[RECORDAÇÕES JOANA ON]*6 de Fevereiro de 2013
Tinha regressado a Lisboa à dois dias, depois de ter terminado tudo com o Miguel. Depois de um dia enfiado em casa a chorar, as minhas amigas convenceram-me a sair de casa com o único objectivo de nos divertirmos.
Eram 21h, eu tinha acabado de me arranjar e elas já me esperavam na sala. Alguns minutos depois saímos as três, rumo a uma discoteca perto de casa.
Já na discoteca aquilo que era para ser uma noite de diversão transformou-se numa noite de copos. Bebi, bebi e bebi até saber que devia parar. Claro que resultou num bebedeira, há quem lhe dê para chorar, outros para rir mas a mim, apesar de já estar com a visão um pouco turva deu-me para dançar que nem uma doida e meter-me com vários homens até que  um que estava encostado ao balcão a beber me chamou a atenção.
-Olá!-Disse eu a sorrir.

-Olá!-Disse ele.

-Eu estava ali a olhar para ti e a pensar que homem tão bonito e aqui sozinho e então decidi vir conversar contigo.-Disse eu, poisando a mão no peito dele.

-Como podes ver não estou nas melhores condições para conversar.-Disse ele.

-Até parece que eu estou.-Disse eu, desequilibrando-me.

-Pois já deu para perceber!-Disse ele provocando uma grande gargalhada nos dois.

-E se saíssemos daqui e fossemos até minha casa?-Perguntei eu pondo a minha mão por baixo da camisola dele.

-É uma proposta tentadora.Mas vamos antes para o hotel.-Disse ele.

-E eu não sou uma tentação?-Perguntei eu a sorrir.

-E que tentação....és um pecado.-Disse ele levantando-se e pondo a mão na minha cintura.

-Vamos?-Perguntei eu.

-Sim!-Disse ele. Acenei às minhas amigas que ia embora e saí da discoteca agarrada a ele e ele a mim e tentávamos ao máximo não cairmos no chão, o que não acontecia por muito pouco e que provocava grandes gargalhadas entre os dois.

Por sorte depressa apareceu um táxi. Ele indicou o hotel ao taxista  e num instante lá chegamos. Pelo caminho nada falamos, apenas trocamos algumas carícias e alguns sorrisos. Entrámos no hotel, ele foi até à recepção reservar um quarto e assim que estava tudo tratado, subimos os dois até ao quarto.
Ainda a porta do quarto se tinha fechando já nos beijava-mos loucamente.
              
Depressa esquece-mos os beijos e tudo o resto para nos livrar-mos das nossas roupas. Depressa nos entregá-mos àquela loucura e a uma pressa enorme para juntar-mos os nossos corpos e matar-mos o desejo que sentia-mos que também já era um pouco devido ao álcool.
Depois de toda esta loucura de pouco me lembro, provavelmente adormecemos. Lembro-me sim de acordar no dia seguinte deitada naquela cama ao lado de um homem que não sabia quem era e com um grande dor de cabeça. Ao aperceber-me do erro que tinha cometido e ao vê-lo ainda a dormir, agarrei na minha roupa toda e sai dali a correr.
Só mais tarde é que dei conta do tamanho do meu erro: fui para a cama com um homem que nem o nome sei e sem protecção alguma.
[RECORDAÇÃO JOANA OFF]*

Assim que acabei de contar tudo ao Lima, olhei para ele e estava com um sorriso no rosto.
-Mas eu conto-te o maior erro da minha vida e tu riste-te?-Perguntei eu ao Lima.

-A discoteca era em Lisboa e o hotel no Parque das Nações?-Perguntou ele.

-Sim. Mas...como é que sabes isso?-Perguntei eu, confusa.

-O maior erro da tua vida foi cometido comigo!-Disse ele.

-Se fosse contigo não tinha sido um erro. Ah? Mas porque é que dizes isso?-Perguntei eu.

-Porque eu cometi esse mesmo erro, conheci a rapariga numa discoteca em Lisboa e depois fomos para o hotel no Parque da Nações. E foi também à três meses e eu tinha acabado com a minha namorada.-Disse ele.

-E qual é a probabilidade de ter sido eu?-Perguntei eu.

-Muita, mesmo muita!-Disse ele a sorrir.

-E se estava-mos na mesma discoteca mas não foi um com um outro que passamos a noite?-Perguntei eu.

-Era coincidências a mais.-Disse ele.

-Então este filho deve ser teu!-Disse eu a sorrir.

-Sim!-Disse eu.

-Ainda estou parva com isto!-Disse eu abraçando o Lima.
             
-Também eu!-Disse ele.

-E afinal não foi um erro!-Disse eu.

-Foi o melhor erro que cometes-te.-Disse o Lima a rir-se à gargalhada, dando-me um beijo de seguida.















3 Meses Depois....
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Olááá a Todas!
Espero que tenham gostado!´
Hoje não deixar perguntas, fica ao vosso critério escrever nos comentários o que quiserem.
Fico à espera dos vossos comentários!
Besos!

domingo, 25 de agosto de 2013

40-"Isto soou a despedida."

Olá!
E aqui está mais um capítulo!
Já lá vão 5 meses e 40 capítulos desde que conheci este mundo e que escrevo.
Quero dedicá-lo a todas que lêem esta fic e em especial a quem comenta.
E quero dedicá-lo em especial à Ana Patrícia Moreira que meu deu a conhecer este mundo e que lê a fic.
Acho que posso dizer que se não tivesse conhecido este mundo, hoje a minha vida não era a mesma coisa xD
Bem, espero que gostem do capítulo!
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-O Miguel está no hospital e precisa de uma transfusão de sangue. Tens de vir cá, por favor!-Do outro lado nada ouvi, apenas uma gargalhada. O que é que aquilo significava? Ele estava a gozar com a situação?

-O que é que eu tenho a ver com isso?-Perguntou ele.

-O que é que tens a ver com isso?Ele está a morrer!-Disse eu a desesperar.

-Vocês nunca quiseram saber de mim e agora que precisam já souberam ligar!-Disse ele. Aquelas palavras geraram uma grande revolta dentro de mim.

-Joder! Ele é teu filho!-Ele desligou-me o telefone.-Eres un hijo de puta!-Disse eu completamente descontrolada e atirando o telemóvel contra a parede.Ele é meu pai mas as palavras dele revoltaram-me e fizeram-me perder a calma.

-Calma! Olha os nossos minimeus, tens de te acalmar!-Disse o Nolito.

-Acalmar? Ele ainda gozou com a situação! Hijo de puta!-Disse eu. O Nolito segurou-me nas mãos e deu-me um abraço. Estive-mos assim mais de 10 minutos, eu chorava e o Nolito fazia-me festas na cabeça.
                         
-Traga um copo de água com açúcar se faz favor!-Ouvimos alguém dizer. Era o médico que falava com a enfermeira.

-Como é que está?-Perguntou o Médico.

-Ela está muito nervosa!-Disse o Nolito.

-Tem de se acalmar, se não tem de ser vista por um médico e ainda acaba aqui internada também.-Disse o Médico. A enfermeira voltou com o copo de água com açúcar que eu bebi logo.

-Vou tentar.-Disse eu.

-O seu irmão já foi operado!-O meu coração voltou a disparar.-A operação correu bem mas ele perdeu muito sangue e continua a precisar de uma transfusão de sangue, está muito fraco.

-A minha mãe já está a vir para cá. E o meu pai não se pode contar com ele.-Disse eu.

-Quantas mais pessoas fizerem análises melhor!-Disse o Médico.

-Eu já falei com os meus colegas de Equipa e com alguns jogadores do Benfica.-Disse o Nolito.

-Posso ver o meu irmão?-Perguntei eu.

-Pode mas não fique muito tempo lá. E ele ainda não acordou da operação e caso acorde não o cansem muito. A Maria e o Tiago estão no quarto ao lado.-Disse ele.


O Médico foi connosco até ao quarto onde estava o meu irmão e depois foi-se embora. Parei perto da porta, olhei o Nolito e abri a porta.
Assim que entrei vi ao fundo a cama onde estava o meu irmão e lá estava ele, ligado ao oxigénio e a máquinas, frágil. E eu? Eu senti-me com nunca me tinha sentido. Sentimento de impotência, não podia fazer nada, só esperar, esperar que aquele corpo que está ali deitado, sem forças e agarrado por pouco à vida volte a ser o que era, uma pessoa cheia de vida, divertida, o meu irmão.
Aproximei-me dele e segurei-lhe a mão.
-Tenho tanto medo de te perder!-Disse eu. Prometi a mim mesmo que ia ser forte e não chorei. Ali não.

-Mas nós estamos aqui a torcer por ti, vamos encontrar alguém que tenham o mesmo tipo de sangue que tu!-Disse eu, fazendo-lhe uma festa na cara sem nunca largar a mão dele.

-Amanhã nós voltamos!-Disse eu ao mesmo tempo que ia a largar a mão dele. Mas não consegui. Ele apertou-a com todas as forças que tinha, que não eram muita. Olhei para ele que tentava abrir os olhos mas a muito custo.

-Mana...-Disse ele em forma de sussurro.

-Não fales...descansa!-Disse eu.

-Eu gosto muito...-fez uma pausa devido ao cansaço.-...de todos vocês!-Disse ele, fazendo-me soltar uma lágrima.

-E nós de ti! Sê forte!-Disse eu.

-Diz à Maria e ao Tiago...-parou para respirar fundo-...que os amo muito!-Disse ele.

-Eles também gostam muito de ti!-Disse eu.

-Nolito!-Chamou pelo Nolito que até agora se tinha mantido de parte.-Toma bem conta dela!

-Mau! Eu sei tomar conta de mim!-Disse eu numa tentativa de aliviar o ambiente.

-Nem sempre!-Disse ele abrindo um pequeno sorriso que nos fez sorrir também.

-Agora descansa! Nós amanhã voltamos!-Disse eu.

-Ok!-Disse ele, fechando os olhos. O meu instinto foi olhar para a máquina que registava as pulsações do coração dele, estava tudo normal. Caminhá-mos até há porta e saímos.Agarrei-me logo ao Nolito e soltei as lágrimas que tinha contido.

-Tenho tanto medo de o perder.-Disse eu.

-Ele é forte!-Disse o Nolito.

-Isto soou a despedida.-Disse eu.

-E talvez tenha sido o que ele pretendia fazer mas não é! Ele vai continuar a lutar! Ele é forte!-Disse ele.


Depois foi a vez de visitar-mos a Maria e o Tiago. Ela estava bastante triste e preocupada. Tentei ao máximo despreocupá-la e dizer que ele estava melhor mas nada a consolava. O Tiago estava alheio àquilo tudo e chateado de estar no hospital. Estive-mos lá apenas 10 minutos. Quando íamos a sair cruzámos-nos com a minha mãe.
-Mãe!-Disse eu, abraçando-a.

-Ele está tão fraco!-Disse a minha mãe.

-Pois está! Mas vai aparecer uma pessoa compatível e ele safa-se.-Disse eu.

-Esperemos que sim!-Disse ela.


Eram já 19h quando saímos do hospital os três. O Nolito conduziu até casa onde jantá-mos algo rápido. No fim do jantar, fui até ao quarto e já não tive forças para me despir. Deitei-me assim e ainda demorei pelo menos uma hora a adormecer, cada vez que fechava os olhos vinha-me à cabeça a imagem do meu irmão deitado naquela cama.

No Dia Seguinte...
Acordá-mos eram 9h em ponto. Tomei um banho, vesti-me e tomá-mos o pequeno almoço. E saímos mais uma vez para o Hospital. Assim que lá chegá-mos fomos avisados que alguns jogadores do Benfica estava a fazer análises incluindo o Garay que não tinha chegado a fazer no dia anterior. Fui até à sala onde lá estavam eles à espera da vez deles.




  
 
-Bom Dia! Buenos Dias! -Disse eu.

-Bom Dia!-Disseram eles.

-Então muito medo das agulhas?-Perguntei eu.

-É aqui o Enzo, só ainda não fugiu porque dava muito nas vistas.-Disse o Garay.

-Olha quem fala!-Disse o Enzo.

-Agora fora de brincadeiras: Muito Obrigada a todos por terem vindo!-Disse eu.



Despedi-me de todos para voltar à sala de espera. Pelo caminho encontrei o médico que me pediu para ir com ele até ao seu gabinete porque precisava de falar comigo. Fui à sala de espera avisar todos e chamar o Nolito. Depois voltá-mos ao gabinete.
-Aconteceu alguma coisa com o meu irmão?-Perguntei eu.

-Não! Foi encontrado um doador de sangue compatível com o seu irmão!-Disse ele. O meu coração disparou mas desta vez de alegria.

-E vai a tempo de o salvar?-Perguntei eu.

-Não se sabe. Pode ser que sim mas também há a possibilidade de ser tarde demais.-Disse o médico.

-Posso saber quem é?-Perguntei eu.

-É melhor ver com os seus próprios olhos! Está neste momento a iniciar o processo de transfusão de sangue!-Disse o médico.

-Vamos?-Perguntei eu.

-Sim. Eu levo-vos lá!-Disse ele.


JOANA:
Hoje era dia de levantar os exames, a prova para o Miguel de que o filho era mesmo dele. Fomos até à clínica e levantá-mos os exames. Já no carro de novo, tinha vontade de abrir mas ao mesmo tempo medo de ficar com certezas de tudo.
-Queres que abra?-Perguntou o Lima.

-Abre, eu não consigo!-Disse eu. O Lima abriu a carta o mais depressa que pode. Vi-o percorrer com o olhar toda aquela folha que continha o resultado. Em poucos segundos vi aparecer uma expressão de espanto no rosto dele.

-Que foi?-Perguntei eu.

-Deu negativo!-Disse ele.

-Negativo? Não pode ser!-Disse eu, agarrando na folha e confirmando o que o Lima me dizia.

-Tu...estives-te com mais alguém?-Perguntou ele.

-Não!-Disse eu.

-Tens a certeza? Pensa bem.-Perguntou o Lima.

-Tenho a certeza!-Disse eu.

-Eu não te vou julgar.-Disse ele.

-Pronto, estive.-A minha cabeça viajou até há três meses atrás e recordou aquela noite.
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Olá a Todas!!
Espero que tenham gostado!
Que acharam do capítulo no geral? E a reacção do pai da Sofia e do Miguel? E da visita da Sofia ao irmão? Terá sido uma despedida? E que acharam da atitude dos jogadores do Benfica? Quem será a pessoa que é compatível com o Miguel? E afinal o filho não é do Miguel, de quem será? De um desconhecido que nem ela sabe? Será que o Miguel se safa?
Deixem os vossos comentários!
Besos!